This project is read-only.
A Catedral e o Bazar versão Brasil

O movimento do software livre é inegável e provavelmente irreversível. A cada dia há mais adeptos e colaboradores que vão desde programadores, tradutores, testadores até doadores. São muitas pessoas colaborando para manter e melhorar centenas de projetos livres no Brasil. Não queremos discutir se o investimento em software livre é interessante ou não. O que iremos discutir é como ele se manifesta aqui no Brasil.

Atualmente o movimento livre no Brasil é grande. Internacionalmente somos citados como exemplos de uso do software livre, devido a nossa política. Nosso governo federal incentiva e usa o Software Livre em vários projetos. São freqüentes as notícias com o título "Governo federal economiza R$ X milhões com software livre". Somando a isso, todo mês ocorre pelo menos um evento de software livre em diversas regiões do país. O maior deles este ano provavelmente foi o FISL 7.0 (Fórum Internacional de Software Livre) no semestre passado que contou com a presença do próprio Richard Stallman, o pai do software livre. A partir destes dados podemos confirmar que realmente o software é forte no Brasil.

Mas se olharmos mais fundo sobre o desenvolvimento de software livre no Brasil, veremos que a maioria de nossas empresas ainda utiliza softwares pagos, muitos deles piratas, e que os grandes utilizadores de software livre no Brasil são o governo e alguns simpatizantes. E, junto a isso, a maior parte dos colaboradores brasileiros trabalha ou em projetos internacionais ou em projetos nacionais (traduções) de softwares internacionais. Temos poucos exemplos de projetos nativamente brasileiros de grande porte. De exemplos, conheço os projetos LUA (linguagem) e o Kurumin (distribuição Linux).

Então surge a pergunta: por que os brasileiros lotam fóruns internacionais de software livre, são fiéis colaboradores e usuários de software livre, colaboram em fóruns respondendo às dúvidas dos outros, mas não conseguem produzir seus próprios softwares? E por que não existem grandes empresas como IBM e RedHat de software livre brasileiras? O que há de errado com nossos bazares, que nos faz procurar os bazares de fora?

Se olharmos para nossa cultura, somos um dos povos mais acolhedores do mundo. O brasileiro preocupa-se mais com amigos do que com dinheiros. A teoria de colaboração mútua do software livre pelo simples prazer de ajudar, é bem de acordo com a nossa cultura. A resposta que consegui chegar foi a nossa simples falta de nacionalismo. A exemplo da linguagem LUA, que após ser elogiada internacionalmente, é que ela passou a ser discutida no Brasil.

O que quero dizer é que neste cenário atual do software livre, o Brasil é muito citado por ser um exemplo de sucesso no uso, especialmente do Linux. Mas o Brasil está muito mais pra testador do que pra produtor de software livre. Até nisso somos dependentes. E se algum dia este movimento acabar no resto do mundo, ele também acabará no Brasil. Enquanto não acreditarmos em nosso próprio potencial, nossos bazares continuarão vazios, e nossas grandes mentes continuarão indo para as catedrais e bazares de fora.

Bruno Aguiar de Melo
Dênis Baptista Rosas

Last edited Nov 7, 2006 at 12:13 PM by joicekafer, version 3

Comments

No comments yet.