Tecnologia, Open Source, Interoperabilidade, Negócio? Juntos, melhor que separados

A maioria dos usuários de Linux (não todos) e/ou partidários do Free Software/Open Source, passa por uma série de etapas bastante comuns.

No meu caso esta série de etapas começou na universidade ao conhecer, através de diversas fontes, o sistema Linux e tudo relacionado com ele. Isto evoluiu no interesse e maior uso do sistema e da filosofia do software livre, colaborando assim em sua divulgação através de grupos de usuários.

Tudo isto me permitiu chegar a um ponto em que posso seguir ampliando meus conhecimentos, ao mesmo tempo em que desenvolvo minha carreira profissional, de diferentes formas, principalmente focada em sistemas Unix/Linux.

Em torno do Linux existe um aspecto filosófico, cuja base está amplamente documentada na internet. Não pretendo dizer que se deixe de lado este aspecto filosófico do software livre, uma vez que na medida certa, está relacionado também com aspectos práticos, como o incentivo ao desenvolvimento científico e intelectual. O problema, como em qualquer outro aspecto filosófico, surge quando pessoas com pouca noção da realidade, poucos conhecimentos gerais e poucas habilidades profissionais, opinam sem conhecimento de causa e geram um fanatismo incoerente e sem base de sustentação.

Explicando melhor, há uma amplitude e avanço tecnológico tão grande no setor de tecnologia da informação que é impensável que todas as coisas funcionem sob uma plataforma única, tanto pela necessidade de uma livre competência como por outras razões que explico abaixo.

Uma empresa pode necessitar de uma ampla diversidade de software, desde o encarregado por cortar placas de alumínio, até o necessário para escrever documentos de escritório, passando por aplicações de cálculos matemáticos de alto rendimento, ou serviços de diretório. Uma empresa de projeto de software e sistemas não é capaz de contemplar o desenvolvimento de todas estas aplicações, cada uma especializa-se em determinada área. Nem mesmo pode-se querer que todas possuam um mesmo sistema de negócio. Além disso cada uma vai desenvolver sua solução sob que a plataforma que considera a mais adequada. A dificuldade surge, quando esta empresa, com soluções distintas e sob diferentes plataformas, precisa ter uma estrutura computacional bem integrada.

Vejamos um exemplo: uma indústria utiliza várias aplicações indispensáveis para o seu funcionamento. Possui uma aplicação sob a plataforma Linux que realiza uns cálculos estruturais e outra aplicação sob Windows, junto com os cálculos anteriores e uns projetos técnicos também sob Windows, encarregada de mandar cortar umas placas de alumínio. E todas estas operações são concluídas com registros em uma base de dados sob Linux e exportadas à planilhas de cálculo do Excel, com o objetivo de calcular os custos. Na seqüência, os dados são armazenados em um servidor de estatísticas, sob Linux, onde os detalhes de fabricação serão mantidos e poderão ser analisados ao longo do tempo.

Neste panorama, de pouco servem as opiniões filosóficas sobre o problema, a não ser que nossa intenção seja levar a indústria citada à falência. A solução é conseguir integrar todas estas aplicações para obter uma comunicação entre as diferentes partes da indústria com alto rendimento e confiabilidade.

Assim, meu desejo não é discutir que plataforma ou que aplicações são tecnicamente melhores. Eu já tenho minha opinião formada a respeito disto. Também sei que qualquer administrador com amplos conhecimentos e experiência vai saber escolher as aplicações mais adequadas e de melhor rendimento para cada situação.

O que me interessa, e é o propósito deste projeto e de outros tantos futuros nesta mesma linha, é incentivar a interoperabilidade, desenvolvendo aplicações, documentações, estratégias ou procedimentos para conseguir a conexão e convivência entre plataformas e aplicações em ambientes heterogêneos. O modelo de desenvolvimento Open Source, pela sua velocidade, constante crescimento e capacidade de expansão, tem , na minha opinião, sua vantagem adicional em termos de interoperabilidade. Ainda assim, existem setores que não aceitam a convivência entre as plataformas. O único segredo para que vários modelos de desenvolvimento e de negócios coexistam é que todos entrem em consenso neste aspecto, já que a qualidade dos sistemas e das aplicações melhora consideravelmente, e acaba repercutindo num benefício maior para todos, inclusive para os possíveis clientes de qualquer dos modelos. É isto que buscamos conseguir neste projeto.

Last edited Nov 13, 2006 at 5:40 PM by joicekafer, version 3

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