This project is read-only.
O Brasil tornou-se, nos últimos anos, um terreno fértil para o desenvolvimento e integração de soluções baseadas em sistemas de código livre e aberto. Uma olhada no portal CodigoLivre nos mostra que mais de 1,700 projetos são mantidos por mais de 13.000 desenvolvedores. Dentre estes projetos, 309 são baseados na plataforma Microsoft e 291 são independentes de sistema operacional. Há alguns poucos baseados em PalmOS e, claro, a maior parte deles, 509, está sob POSIX (alguma forma de Linux ou Unix). Somando, porém, os projetos que rodam na plataforma Microsoft e os que não dependem de uma plataforma ou outra, vemos que este número é maior do que os que rodam exclusivamente em POSIX.

Estes números podem não refletir fielmente a realidade, especialmente porque na maioria dos repositórios públicos verifica-se que muitos projetos que são iniciados não são levados adiante após algum tempo. Mesmo assim, considerando a proporcionalidade, verificamos que a mesma é bastante próxima da realidade. A conclusão é que os desenvolvedores de código aberto estão preocupados que seus sistemas tenham a capacidade de serem executados em plataformas operacionais diversas.

Nota-se que, apesar de algumas reações históricas (e também histéricas) contra as ações da Microsoft em sua aproximação com o mundo Open Source, há um grupo significativo de desenvolvedores de código aberto que é favorável ao diálogo e com a possibilidade de ter o suporte necessário para que seus sistemas estejam prontos também para o ambiente Microsoft. Esta foi uma das principais razões que nos levaram a aplicar aqui no Brasil, algumas ações que levariam à facilitar a interoperabilidade entre múltiplos ambientes, de forma similar ao que já era feito no laboratório coordenado por Bill Hilf, nos Estados Unidos.

Antes de iniciarmos os trabalhos de nosso núcleo de desenvolvimento open source e interoperabilidade, tivemos uma série de ações preparatórias:
  1. Em novembro de 2005, a convite de Roberto Prado, gerente de estratégias da Microsoft, fiz uma apresentação sobre modelos de negócio para sistemas em código aberto a um grupo de parceiros da empresa em São Paulo;
  2. Em abril de 2006, o InfomediaTV promoveu um diálogo sobre questões de interoperabilidade entre as soluções da Microsoft e outras em código aberto no maior evento de software livre da América Latina, o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre, contando com uma manifestação de Richard Stallman, presidente da Free Software Foundation, na platéia;
  3. Em maio do mesmo ano, Bill Hilf esteve presente na LinuxWorld em São Paulo, onde ele e Jon "maddog" Hall puderam conhecer-se pessoalmente e dialogar;
  4. Em julho, participei do Microsoft Partering Executive Summit, em Boston. Neste, que é o maior evento para parceiros da empresa, tive a oportunidade de perguntar a Steve Ballmer diretamente sobre a concorrência com sistemas de código aberto e a significância do laboratório de Bill Hilf para os negócios da empresa. Steve respondeu que considerava o código aberto um concorrente da mesma forma que considera a Oracle e a IBM concorrentes. "Em vários momentos iremos colaborar, em outros competir", disse ele. Sobre o laboratório de Bill, disse que era necessário a Microsoft aprender mais sobre o mundo "Open", até para saber como se posicionar, onde haveria sinergia e onde deveria se preparar para competir;
  5. Enquanto tudo isto acontecia, eu e a Fabiana Iglesias, junto com o Roberto Prado, trabalhávamos no planejamento das ações do nosso futuro Núcleo de Desenvolvimento Open Source e Interoperabilidade, dentro de um orçamento que pudesse ser viabilizado.

Ainda que o Porta25 de Roberto Prado tenha entrado no ar em abril de 2006, já constituindo uma ação local da Microsoft em sua aproximação com o código aberto, o Núcleo de Desenvolvimento Open Source e Interoperabilidade começou em agosto de 2006. Iniciamos com um time local, baseado no Rio Grande do Sul, gerenciado por mim e tendo a Fabiana Iglesias como diretora de relações institucionais. Dois assistentes técnicos, Joice Käfer e Luis Bosque, completam a equipe.

Desde o princípio, colocamos nosso projeto dentro do portal Codeplex. Nosso projeto esteve sempre entre os mais ativos do Codeplex e dispõe de um tutorial, em português, para o uso do portal, um handbook sobre interoperabilidade entre Active Directory Services e OpenLDAP e materiais sobre High Performance Computing produzidos pela equipe do laboratório da Unicamp, coordenado por Fábio Cunha. Também convidamos outros projetos nacionais que fossem multiplataforma ou tratassem, de alguma maneira, de questões de interoperabilidade, para que se hospedassem no Codeplex. Hoje temos listados oito projetos, outros estão por vir.

Buscamos fazer com que as iniciativas de nosso núcleo estejam refletidas em posts no Porta25, em nosso blog do projeto e também em portais da comunidade, como o BR-Linux e o Dicas-L. Muitas das iniciativas do núcleo tiveram reflexo na imprensa especializada, como o portal de tecnologia do Terra e mesmo na imprensa geral, como os jornais o Globo e Folha de São Paulo.

A um mês de concluirmos a primeira fase de nosso projeto, estaremos montando "lab cases" sobre interoperabilidade entre o Active Directory e o OpenLDAP, concluindo o handbook com a ilustração de casos práticos que começam a ser montados em conjunto com o LMS-Unicamp.

Acreditamos que estamos apenas no começo. Com um pequeno orçamento proporcionamos entregas bastante visíveis e promissoras. Há muito mais o que fazer. Para a segunda fase deste projeto, esperamos ainda ampliar as ações que já começamos e iniciar outros projetos.

Last edited Dec 5, 2006 at 12:36 PM by cesarbrod, version 3

Comments

No comments yet.